O poder de viver o AGORA
- Giuliana Mainardi

- 12 de jan.
- 3 min de leitura
O início de um novo ano carrega um simbolismo silencioso, porém potente. Ele não é apenas uma mudança no calendário, mas uma pausa coletiva — um intervalo entre o que foi vivido e o que ainda pode ser construído. Nesse espaço, muitas pessoas sentem um impulso quase automático de “recomeçar”, de prometer mudanças, de reorganizar a vida. Mas poucas percebem que o verdadeiro ponto de transformação não está no futuro idealizado, e sim no agora.
O agora é o único lugar onde algo realmente pode ser modificado. O passado já cumpriu sua função de ensinar; o futuro ainda não existe. O presente, por sua vez, é o campo vivo onde escolhas, emoções e percepções estão acontecendo neste exato momento.
O novo ano e a ilusão do “depois eu mudo”
É comum associarmos o começo do ano à ideia de que “agora vai”. No entanto, sem consciência, esse movimento se transforma em uma repetição de expectativas não sustentadas. A mente projeta mudanças para o futuro como uma forma sutil de evitar o contato com o que está sendo sentido no presente.
A neurociência nos mostra que o cérebro tende a repetir padrões quando não há elaboração emocional. Não se trata de falta de força de vontade, mas de circuitos neuronais já consolidados, sustentados por experiências passadas, crenças e estados emocionais não processados.
O novo ano não apaga automaticamente essas estruturas internas. Ele apenas as ilumina, oferecendo a oportunidade de olhar para elas com mais honestidade.
O agora como campo de reorganização emocional
Na psicologia e nas neurociências, o presente é compreendido como o único momento em que o sistema nervoso pode ser regulado. Emoções não elaboradas permanecem ativas no corpo, influenciando decisões, comportamentos e até respostas fisiológicas.
A psiconeuroimunologia demonstra que estados emocionais crônicos — como estresse, ansiedade e frustração — impactam diretamente o equilíbrio do organismo. Quando a mente permanece presa ao passado ou constantemente antecipando o futuro, o corpo vive em estado de alerta contínuo.
Estar no agora não significa ignorar o passado ou deixar de planejar o futuro. Significa integrar, dar sentido ao que foi vivido para que o organismo não precise repetir o mesmo padrão como tentativa de resolução.
Por que iniciar a terapia no início do ano?
O começo do ano oferece uma condição psicológica especial: há mais abertura para reflexão, reorganização e tomada de decisões conscientes. É um período em que as defesas costumam estar menos rígidas e a percepção de si mais acessível.
Iniciar um processo terapêutico nesse momento permite:
compreender padrões que se repetem ano após ano
elaborar emoções que ficaram acumuladas
reorganizar o sistema emocional e cognitivo
desenvolver maior consciência sobre escolhas e limites
criar mudanças sustentáveis, e não apenas promessas




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