Ansiedade - falta de segurança interna.
- Giuliana Mainardi

- há 19 minutos
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Ansiedade não é excesso de pensamento, é falta de segurança interna
Durante muito tempo, a ansiedade foi explicada como um problema da mente: pensamentos acelerados, preocupação excessiva, dificuldade de desligar. Mas essa explicação é incompleta — e, muitas vezes, injusta com quem sofre.
A ansiedade não nasce porque a pessoa pensa demais. Ela surge quando o organismo não se sente seguro.
Ansiedade é um estado do corpo, não um defeito da mente
Antes de virar pensamento, a ansiedade é uma resposta biológica. O sistema nervoso entra em modo de alerta quando interpreta que algo ameaça a sobrevivência — mesmo que essa ameaça não seja consciente.
Por isso, muitas pessoas dizem:
“Eu sei que não faz sentido, mas meu corpo reage”
“Minha mente entende, mas meu coração dispara”
“Não consigo relaxar, mesmo quando tudo está bem”
O corpo aprendeu, ao longo da história de vida, que relaxar não é seguro.
O que gera a falta de segurança interna?
A insegurança interna não surge do nada. Ela costuma ser construída a partir de experiências como:
Infâncias marcadas por instabilidade emocional
Relações afetivas imprevisíveis ou invalidantes
Excesso de cobrança e responsabilidade precoce
Traumas emocionais (inclusive os silenciosos)
Ambientes onde sentir ou expressar emoções não era seguro
O sistema nervoso aprende a ficar em vigilância constante. Com o tempo, isso se manifesta como ansiedade.
Pensar demais é consequência, não causa
Quando o corpo está em alerta, a mente tenta controlar o ambiente para evitar dor. Surgem então:
ruminação
antecipação negativa
necessidade de prever tudo
dificuldade de confiar
O pensamento excessivo é uma tentativa de proteção, não o problema em si.
Ansiedade como linguagem do corpo
A ansiedade é um sinal. Ela comunica que algo dentro da pessoa precisa de cuidado, acolhimento e reorganização.
Silenciar o sintoma sem escutar sua origem pode até aliviar momentaneamente, mas não constrói segurança interna.
Onde a psicoterapia entra
A psicoterapia não é apenas um espaço para falar sobre problemas. Ela é um ambiente relacional seguro, onde o sistema nervoso aprende, aos poucos, que:
é possível sentir sem colapsar
é possível confiar sem se perder
é possível relaxar sem perigo
Ao longo do processo terapêutico, o corpo reaprende a sair do estado de alerta constante.
Isso não acontece por força de vontade, pensamento positivo ou controle mental. Acontece através de experiência emocional reparadora.
Segurança interna se constrói
A boa notícia é que segurança interna pode ser desenvolvida.
Quando a pessoa encontra um espaço terapêutico adequado, ela começa a:
regular emoções
reconhecer limites
habitar o próprio corpo
diferenciar passado de presente
responder à vida com mais escolha e menos reação




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